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Volte a noite

Fragmentos.

Coberto por medos, coberto por vontades.

Ele caminha devagar, se deixa levar rapidamente. Não sem perceber, de acordo.
A fantasia de um futuro emergente sustentando desculpas para manter as grades.

A jaula ainda fora de visão, mas plena na interpretação do cotidiano.
Um escape secreto que brilha no peito, corrói na possibilidade de florescer.

Todos observam ele desfalecer em discursos inflamados.

Ninguém entendeu.

Todos veem que as paredes que tanto lhe ferem, também são o alicerce de sua emancipação.
E discutem se estas paredes realmente são obstáculos, ou vontade plena.

O que lhe corrompe, sustenta. O que lhe ilumina, amedronta.
Uma constante batalha em não amar o que lhe corrompe, em não odiar o que lhe ilumina.

O caminho é claro como uma arvore seca. Tantas opções, tantas saídas, tantas possibilidades de ver tudo ruir.

Alguém lhe sugira calma.

Parte I

O drama, rejeitado. Emoções, rejeitadas. O riso e a dança, prevalecidos.
O riso, contestado. A dança, diminuída. O dinheiro e a ascensão, valorizados.
O dinheiro, fracassado. A ascensão, fragmentada.

O bruto em uma pessoa remando contra panfletos e estereotipias, abraçando dramas, internalizando-os, desfragmentando e entregando-se a emoções desprovidas de temas ou tópicos. Rapidamente soltos em inseguranças e novos objetivos. Abandonando seus dramas e emoções, para dançar, para rir.

O riso transformando-se em mercadorias baratas, preguiças. Defeitos e diferenças sendo a única surpresa para bocas abertas e mercadorias enlatadas. Enquanto a dança circula todos os corpos em constante êxtase de prazeres autônomos, independente obra da construção de auto felicidade, desdobre-se. Na margem, dedos apontam para quem dançam, corpos se cobrem, vergonhas ajoelham-se para novas preguiças e inseguranças. Abandonando seus risos e danças, para enriquecer, para a ascensão.

A ascensão entrelaçada ao enriquecer, a propaganda do espirito pobre residente de grandes casas e muitas reuniões. Propiciando o deleite inerente de uma vida plena e desapegada de bobagens filosóficas. As metas indo às alturas, esquema simples, denotando quem prospera, quem cai. Fracassou. O amargo na garganta de quem muito tem, mas nem tanto, transformando confortáveis linhas retas em desfiladeiros.
O ritual da ascensão fragmentada, pequenos pontos no mercado para manter o relógio civil girando.

Parte II

Desiludidos com as engrenagens e ritmo da sociedade, cavam hipérboles e mantras ríspidos sobre o parecer de nosso tempo, jogando ideologias e carvões aos pedestres, sem patrocínio, sem ouvintes. Escondem-se e condenam os holofotes, desaprovam seus espetáculos. – Histórias fáceis ou repetidas desde os anos do preto e branco. Sexo velado e moral pautada. Não discordam. – Os que discordam, continuam nos porões e esquinas, abraçados a garrafas de vodka barata para camuflar o posicionamento inofensivo. Discordam tanto, mas deixam os espetáculos a mercê de quem não se importa, não abraçam e pegam os holofotes para si, deixam passar. Esquinas aconchegantes. O show precisa ser tomado, mas ninguém veio busca-lo. Alguém encontre os discordantes dos porões.

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Uma cama limpa, forrada com pequenos papéis e rotina.

Um sorriso exibindo desejo, fortalecido por determinação. Olhos vestidos de dedicação, sustentados por sonhos, escondendo receios.

Mãos alheias que conduzem, mãos alheias que não param de conduzir quando vão embora. Aquelas mãos que regem o caminho a tanto tempo que só resta aos olhos cheios de sonhos preencherem as lacunas difíceis de encontrar.

A cama. O abuso complacente dos anos. O medo. A ganancia do querer.
Surpreendentes histórias iguais, repetidas de novo e de novo. Desaparecendo no surreal, dançando no comum.

Um sorriso fantasiado, mãos expostas.
Ela querendo viver, ele querendo o prazer. Ela vestida de branco, ele de preto.

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Pensar em esquecer, nem se for por um momento, enche-me de remorso. Mas é apenas devaneio. Não há como, já faz parte do que sustenta o meu preencher.

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Setembro, Novembro, hoje.
Datas para lembrar, memórias que irei de guardar. E sabemos que para sempre.
Um objeto cheio de desenhos, brigas, ideias, vontades, segredos. Memórias.
Uma história imprevisível, diria. Mas uma história, das boas. Desconhecida, real, fadada ao eterno, quem poderia não lembrar? Não apenas lembrar, aprendi. Tantas somas. Tanto aprendi, um manto de secretas decisões formando, me formando.

Que bem faz, tanto que falei. Conversas intermináveis, manias peculiares, quase doces. É doce. Uma nova língua. Eroilismero. Que bem fez. Me pego agora querendo conversar mais, quero conversar. Aquela lista de canções, aqueles animais mudos que sorriem e contam tanta coisa, cheios de sentimentos velados, poupam e esbanjam tanto nosso.

Orgulho, palavra que tanto repetida hoje me aperta a garganta, mas também levanta como nunca antes, ter orgulho do que decidi. Palavras tão certas, um jogo sem competidores, apenas ganhadores, apenas perdas para novas conquistas, jogador implacável. Rir de que? De tudo, tantas marteladas para uma sessão de riso incontestável.

Revi todos os pontos, sei que tantos ainda irei rever, sempre. Como foi dito não são apenas lembranças, são parte de um ideal que completa, algo que preenche, como nunca visto. Ao menos por mim. E… Uma gota, importante dizer. O pequeno detalhe representando imensidão. A ponta do dedinho.

E se tiver algo escrito errado?

Vou visitar as datas, vou percorrer os lugares, chegar onde disse chegar, escrever, marcar seu nome. Tantas histórias assistidas, maratonas, noites a fio. Tá? Visse?

E aquele susto?

Ironia, sarcasmo, ritual macabro de constantes inseguranças e desejos, não? Só parte de um talvez. Tanto para conservar, às vezes parte de algo tão simples, pacato – sou comum. Pele.

Tudo reservado, dezoito, vinte, vinte e cinco. Vinte e três. Que dor ver partir. Para quem apontamos ou reclamamos de injustiças sem tribunal? Não tem, mas não é certo. Nunca será certo. Mas somou, muito somou, é como aquela marca especial e inconfundível que não se apaga, nem se tentar, que não sabem de onde veio, por que chegou, mas ali fica, marcada.

Só sei que irei ficar, sempre irei ficar. Vou sempre ser filho do rei. Prometo.

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Queria parar o tempo,
Só por um momento,
Fazer o que quiser,
Qualquer coisa,
Sem entardecer.
Para assim quando voltar,
O tempo não perder.

Queria parar no tempo,
Só por um momento,
Organizar o atrito,
Rasgar os vacilos,
Descansar.

Quero amanhecer,
Enlouquecer
as vontades,
Provocar
os ânimos.
Todo um momento,
Sem entardecer.

Sem entardecer,
O tempo.

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Viajo por esquinas, sem saber.
Seguro sua mão, só por querer.
Crio indisciplina, sem saber.
Corro pela vida, só por querer.

Me diga o que você sabe
Me diga o que você quer

Caminho entre rios procurando tal sabor,
Vago entre mares procurando aquela cor,
Rasgo camisetas e rabisco indecisões.

Desligo a preocupação por lazer,
Não sei o que preciso apenas o que basta.

Atitudes duvidosas e teorias displicentes
Reduzem nossas vidas em neblina
E caminhos inexistentes.
Procuro algo para correr, só para saber.

20/11/2011

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