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Volte a noite

Fragmentos.

Tanta gente escondendo,
Tanta gente gritando
E alguns apenas reservando.

Quem esconde, mentindo.
Quem grita, querendo.
Quem reserva, olhando.

Aos tropeços exigem e debatem.
Andam com força no chão. Procurando verdades.
Devaneios.
Injuriados, bastardos e culpados.

O preço do ato, fragmentando e enfurecendo pessoas.
Mas é apenas preço. O peso da alegoria.

Enquanto no bolso, guardo detalhes e memórias.
Tantas minhas, tantas suas.

Capricho azedo, virtude preservada.
São meus.

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A luz se deslocando lentamente no teto, muito pouco.
Iluminando olhos esperando.
O tempo passa distante. Mãos se estendem, apontando para onde ir.
Aonde quer ir.

Tal luz trazendo círculos aos olhos.
Colidem com desespero.
Amparado, mas desespero.
Braços voltam a agitar-se.
Excitação espantando o esperado, apontando para onde ir.
Aonde quer ir.

Por que tais olhos trazem tanta esperança e tristeza?
Estamos falando do mesmo momento, da mesma luz nos olhos.
Ao observar o chão, pés estreitos e perdidos.
Por pouco tempo, estes olhos acesos apontam para onde ir.
Aonde quer ir.

Dificuldades indicando mudança. O quarto é vazio e frio,
Mas lá fora o tempo avança e é para onde os olhos apontam.
Apontando para onde ir.
Aonde quer ir.

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Amarelo.
Elo de misericórdia
e maldade

Amarelo de quantidade. Menos.
Menos o pudor.
Elo de comoção e devoção.
Pronto para sucumbir.
Elo de segundos confortáveis.

Testando o desejo de colidir.
Treinando o devaneio para suprir.

Amarelo, elo de finalização. Coração.
Coração na conta, apenas.
Apenas se não for muito pedir.

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Rodando em volta de um único eixo no chão.
De braços abertos, sentindo apenas o cheiro do céu e suas vontades.
O egoísmo cercando seu corpo como um abraço.
Mas não é mau, é apenas por ter o quanto quiser.
Agora, o cheiro partiu.

Continua em frente, o gosto do corpo alheio e seus sabores.
Atrevendo-se, compartilhando.
Sorrindo por desviar-se dos tropeços dos vizinhos nas ruas.
Ainda está de pé. Lambe, desliza no gosto e canta.
Não é mau, é apenas conseguir se sobressair.
O gosto partiu.

Ignorar não é mais uma opção.
Com menos, vem mais. E o mais é novo,
Novo que apaga antigos anseios, para substituir por exatidão.
Seu pecado é dividido e o afeto compartilhado.
O que era saída, agora são abrigo e medo.
O corpo alheio envolvendo um mundo inteiro.
Pois o que se ouve pela janela como mundo, cai. Está indo.
Resta cantar e somar o que aprendeu. Fugir para subtrair o caos.
Não é mau, é apenas percorrer enquanto há tempo.
O que se ouve, partiu.

Os olhos arregalam-se em forma de surpresa mal vista.
Os vidros cheios de água e memórias são revirados.
O caminho cheio de perdas e ganhos. Resvala-se em raiva e precipitação.
Cegando a saída que abrigava seu conforto.
As janelas que exibiam aos seus olhos o caos, não gritam, te puxam.
Quem costumava ver ser corpo e te abrigava em um abraço, correu de peito apertado.
Não é mau, apenas os pés cansaram de correr, como os vizinhos que ficaram para trás.

Resguardados em angustia de desamparo. Cada um em cada qual segue ao caminho que lhe é convincente.
Gotas de memórias exalam em desistência.
O sol caminha gelado pelo corpo sozinho e quente.
Atrás de libertar um último suspiro atrás do que lhe pertence, volta.
Não é mau, apenas a vontade de correr, voltar para quem.
O que se vê, partiu.

Ao lado do indigente amor disfarçado de afeto, após perder e adaptar.
Não partiu, aqui está.
Apenas toque.

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Sou igualdade de diferenças. Tais como estas que vejo,
Que possuem mares e corpos distintos do meu.

Não vejo por que só restam-me o perdão e a clemência.
Do alto da prepotência derrubam barbaras ignorâncias.
O desconhecido é jogado as ruas por atos que dizem conhecer.

Onde está o dono do livro? Busque-o. Atrevo-me em pedir.
A obediência cercando leões treinados, que abusam nos arbustos.
E desfilam no tablado.

Meus pés sem freios correm e continuarei. A ladeira já tem fim marcado para todos.
Deixe-me deslizar sem os versos que pretendem leva-los para cima.
Meus versos estão prontos e me autorizei em ditá-los.

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De olhos pesados assistindo seus pés leves,
Com a pele cheirando cerveja.
Segurando fios de cabelo sobre os dedos cinzas.

Ela enxerga seu lado sujo e você teme.
Teme não conter a raiva dos punhos e peito pulsante.
Você é dela e ela apenas bebe seu whisky.

Encontra em seus braços um lugar para dormir.
Percebe, ela te observa como deveria.
Mas não sabe o que poderia.

Assento para aquele corpo e tempo.
Quer mais, quer continuar.
O que faria se soubesse
Que ao amanhecer é apenas capitu
Mas ao anoitecer, nas ruas é Erica.
Ainda assim ajudaria?

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Devolver passo a passo no chão, sujar e libertar.
Escurecer para clarear. Desprender para que continue.
Ritmo de velhos, lábios de raposa.

Recolher-se em privilégios próprios. Fechar.
Não percorrer os olhos pela multidão procurando-se.
Despedir-se do apertar de garganta, respirar.

Fingir-se de morto, para que não vejam que suas virtudes estão a morrer.
Construir bloco a bloco que se colidiram. Sem que fantasie mais.
Vida de movimentos.

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Vou escrever no muro, um reflexo.
Expor para ‘desestragar’. Talvez:
Nunca vou assumir os choros e amores.
Saiu na rua e demonstro a arte de não se importar.
Chuto portões e escrevo mentiras que contam sobre Jesus.
Faço por que sim, apenas porque não.
Porque não vou te contar do rosto molhado.
É desagradável e me sinto menino.
Me importo só sobre o que diz.
Talvez não, mas só talvez.
Enquanto a cidade fala de qualquer jeito.
Se importando ou não.
São vermes, são queridos. Mas não ligam.
Enquanto continuo aqui sendo o que quer ver.
É irrelutavel, fotos e crônicas talvez não adiantem mais.
Nunca foi o bastante.
Vamos pegar dinheiro e sair. Apenas sair.
Me diz como é conhecer alguém irredutível.
Exiba mais o que deseja. Entenda.
Entenda que não é melancolia e desperdício.
É somar. Sobre somar.

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Sempre sou eu mesmo, mas não completamente sempre.
Não vejo possibilidades de encher um balão inteiro com tudo que sou.
É o balão. As vezes ele estoura, as vezes ele não enche, as vezes só voa.

Algo como no simples fato de me olharem, saberem quem sou, só porque sei.
Conversar com sorriso e descobrirem naquele exato momento, ao todo, quem é esse eu que costumo ser.
Não.

Mesmo entre sangue e palavrões.
Abraços. Caricias. Perdões.
Não acho possível ser tudo ao mesmo tempo.
Se um dia eu puder, saibam, me tornei pequeno.

Mas isso não é um juramento.

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Você se esconde?
Eu também.
É observar uma paisagem sem atrativos, deslocar-se para baixo.
Caminhar em volta de pessoas de olhos vendados e sorrisos, abraços.
Ninguém sabe.
Injusto é apontar covardia, são opções cheias de relatividade que não cabem em
Analises baratas ou boataria. Você sabe do que estou falando.

Mas você se esconde mesmo?
Quantos ensaios e manuscritos foram lançados no picadeiro e perdemos por escolha própria?
Não era o suficiente. Existe o reflexo e o equilibrio pedindo mais dedicação e orquestras.
Orquestras são organizadas. É dia no palco, é dia atrás da cortina. O que aprende atrás da cortina?

Vamos para o palco, já aprendemos um pouco por aqui.

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